Pesquisa revela que maioria dos brasileiros (67%) refletem sobre a morte, mas eles não se organizam para esse momento.
Pesquisa inédita da Icatu Seguros, realizada em parceria com a Conversion, mostra que população se preocupa com organização financeira e entende a importância desse planejamento, mas que pouca gente se prepara para esse momento.
Você costuma pensar na sua morte?
A Icatu Seguros fez essa pergunta à população dentro de uma ampla pesquisa sobre hábitos de organização financeira do Brasil, e descobriu que a resposta tende a ser sim: 67% refletem sobre isso com certa regularidade.
Mas o que significa, de fato, pensar na morte?
Esse estudo da Icatu Seguros traz vários insights para responder isso. Abaixo, você pode navegar por alguns deles:
“Atração” à morte atrapalha conversas sinceras
Jovens temem perder a juventude
A família é a preocupação vital
Brasileiros confundem organização com custos funerários
Pensar na morte é um exercício solitário
“Atração” à morte atrapalha conversas sinceras
Então, para os brasileiros, o que significa pensar na morte? “Essa resposta é complexa”, admite Cynthia Araújo. Referência no assunto, a advogada escreveu A Vida Afinal: Conversas difíceis demais para se ter em voz alta (Paraquedas, 2023), e é editora do blog Morte sem Tabu, do jornal Folha de S. Paulo.
Para ela, como para muitos outros especialistas, pensar na morte no Brasil vai desde uma relação mística com a finitude indesejada até os contextos em que, ao contrário, morrer é um elemento cotidiano. De toda forma, a sensação de que falar da morte a atrai atravessa qualquer conversa sobre o assunto.
“Como não se toca nesse assunto, a experiência de morrer passa a ser sempre vivida pelos outros, nunca por mim. Quem morre é ‘o outro’”, completa ela.
No estudo da Icatu Seguros, cerca de 46% dos brasileiros afirmaram pensar na morte “de vez em quando”, enquanto 20% refletem com frequência sobre ela. Em outras palavras, é um tema frequente.

Diante desses números, Luciana Bastos, Diretoria de Produtos Vida da Icatu Seguros, destaca que há uma dissociação entre uma consciência racional e o comportamento prático: a maioria das pessoas só busca proteção quando já percebe o risco iminente.

Luciana Bastos, Diretora de Produtos Vida da Icatu Seguros
Ela concentra a análise nos Seguros de Vida, que funcionam, para ela, como uma proteção social, à medida em que eles garantem cuidado patrimonial e proteção à estrutura familiar. “Para quem fica é muito difícil ter que lidar com o luto e ainda se preocupar com a organização financeira – caso ela não exista. É um duplo pesar”, analisa ela.
Na visão de Luciana Bastos, esses instrumentos de planejamento financeiro não fornecem apenas segurança patrimonial, mas também saúde emocional e social. No Brasil, diz ela, em que é comum “envelhecer antes de enriquecer”, esse é um ponto a ser observado melhor.
Sem preparo, o fim da vida tende a gerar uma maior dependência dos filhos, judicialização de heranças, perda de patrimônio e uma vulnerabilidade emocional da família.
E nas empresas?
André Sacconato, economista que leciona na FIA Business School e atua com consultorias empresariais, convive com dinâmicas institucionais muitas vezes conturbadas. É que pesquisas mostram como, apesar de o país ter quase a totalidade de seus negócios em âmbitos familiares (90% dos CNPJS, segundo o IBGE), 70% não conseguem sobreviver à segunda geração, de acordo com o Sebrae.

André Sacconato, Economista
“Essa não é uma discussão fácil. Os fundadores das empresas precisam não só tomar a decisão de passar o bastão em algum momento – o que, por si só, já gera conflitos – como ainda devem tomar, eles mesmos, as rédeas desse processo, que é longo, demorado e complexo”, analisa André.
“Muitas vezes, não dá nem tempo. Aquela pessoa, pilar da empresa, se vai, e a família entra em disputas pelos fragmentos do controle do negócio. E é assim que ele começa a falir”, conta. “Como ninguém fala da morte ali, para não ‘atrair’ o conflito, as coisas ficam sem resolução”.
Não deve existir nenhum empresário ou empresária que não pense nisso em algum momento: ‘Quem vai cuidar do que eu construí quando eu não estiver mais aqui?’. Mas há um abismo entre esse pensamento e a ação, e isso é inevitável. Organizar sucessão patrimonial em uma empresa é um processo realmente muito difícil. Exige cuidado e habilidade.
Muita gente, por outro lado, admite que pensa na organização do patrimônio. É a demonstração de que, em meio a um pensamento frequente sobre morte, os brasileiros têm se relacionado cada vez mais com o planejamento pós-vida.
Mais de um terço (39%) dos ouvidos na pesquisa da Icatu Seguros disse que, à medida que reflete sobre a finitude, também se preocupa mais com as finanças de quem fica. Outros 33% apontam que, sempre que se pegam pensando nesse assunto, são levados a refletir sobre a necessidade de guardar dinheiro. “Já existe preocupação e o ímpeto para mudança, é preciso que se busque a ação. Falta um pouco mais de percepção dos seguros de vida como uma forma fundamental de cuidado”, diz a Diretora.

Jovens temem perder a juventude
Um dos dados mais relevantes da pesquisa da Icatu Seguros é a presença mais constante do pensamento sobre a morte entre jovens da chamada Geração Z, entre 16 e 28 anos (22% deles disseram que refletem sobre o tema com frequência) e dos Millenials, entre 29 e 44 anos (24%).
As taxas caem conforme a idade das gerações sobe: na Geração X (45 a 60 anos), 15% das pessoas dizem pensar sobre a morte sempre e, entre os Baby Boomers (61 a 80 anos), ela cai para 7%.
Os especialistas sugerem, de bate e pronto, que esse temor é um reflexo da própria ideia de juventude — isto é, que é um desperdício morrer jovem. Os mais velhos, mais próximos da finitude, nesse sentido, buscam pensar em outras coisas porque, caso contrário, seriam devorados por uma reflexão uníssona.
Para Cynthia Araújo, porém, a insegurança urbana joga um peso relevante aqui. “Em um contexto em que muita gente tem sido vítima de violência, que às vezes custa a vida das pessoas, nas grandes cidades, é significativo que os jovens tenham medo de que isso também aconteça com eles.
Se aconteceu com o ‘outro’, eu também corro esse risco
Além disso, há um contexto histórico recente que pode ter intensificado essa percepção de vulnerabilidade entre os mais jovens. A pandemia de Covid-19, por exemplo, expôs de forma abrupta e coletiva a ideia de finitude, atingindo famílias inteiras e alterando rotinas em escala global. Soma-se a isso a crescente frequência de tragédias climáticas, amplamente divulgadas nas redes sociais e vivenciadas por muitos jovens de forma direta e indireta.
Ainda que seja difícil estabelecer uma relação causal, é possível que a vivência simultânea de crises sanitárias, ambientais e sociais possa ter aproximado essa geração da ideia de que a vida é mais instável — e, portanto, mais frágil — do que se imaginava.
Essa preocupação, porém, não se reflete em mais organização financeira: entre 11% e 13% dos ouvidos de todas as idades dizem possuir um Seguro de Vida, por exemplo.
Há alguns fatores importantes a considerar nesse dado, como uma capacidade econômica ainda menor dos mais jovens, por exemplo.
É esperado que a Geração Z, sobretudo, para além de não se preocupar tanto com a organização, não tenha alcançado todos os recursos que gostaria para deixar à família. São jovens que estão montando seu patrimônio.
Os mais jovens também têm sido mais expostos a debates sobre a finitude do que as gerações anteriores. Na última década, o assunto atravessou uma série de outras discussões, envolvendo, sobretudo, a juventude. Desde os dilemas da passagem para a vida adulta até questões mais sensíveis, como prevenções ao suicídio. “Como objetos desses debates, os jovens parecem expressar que estão ouvindo tudo o que está sendo dito sobre eles”, diz Araújo.
As diferenças se dão na forma como cada geração conversa sobre isso. Entre as pessoas da Geração X, apenas 9% já têm tudo organizado caso elas morram. Já entre os Millenials, a taxa de quem já tem tudo organizado é quase o dobro: 17%.
Para Luciana, o que chama atenção é o fato dos mais velhos, apesar de estarem mais próximos do fim, não se preocuparem com sua organização muito mais do que os mais jovens. Entre os Baby Boomers, a maior parte diz que sequer conversou com a família, mas que pretende fazê-lo em algum momento (47%).
Uma das possíveis explicações é que essas pessoas já experimentaram a morte de alguém próximo, e dizem que, apesar dessa pessoa não ter nada organizado, tudo foi resolvido sem grandes dificuldades (40% dos entrevistados).
“Os dados da pesquisa mostram que essas são as pessoas que menos querem pensar na morte, indo em um contrassenso comum a serem associadas à finitude. Faz sentido. O preocupante é elas também não se preocuparem com o cuidado do patrimônio de suas famílias, baseadas em experiencias pessoais distintas”, alega a Diretora de Produtos Vida.
A família é a preocupação vital
Mas, se muita gente pensa na morte, de fato, o que faz as pessoas refletirem sobre isso?
A pesquisa da Icatu Seguros diz que é a família.
A principal razão (67%) para se pensar na própria morte no Brasil é a perda de alguém próximo
A taxa é muito maior que o segundo motivo mais comum: quando as pessoas pensam na idade que possuem (33%) e, empatado a isso, quando entram em contato com casos envolvendo violência.

Cynthia Araújo nota que, quando algum familiar morre sem um planejamento financeiro, o que se sucede é um “caos”.
“A maioria delas precisa aprender tudo novamente, porque o processo é muito burocrático. Abrir o inventário, lidar com decisão judicial, tem até serviço de contador especializado nisso. Vão fazendo as coisas no modo de tentativa e erro mesmo, até tudo se estabilizar”.
Luciana Bastos, da Icatu Seguros, percebe a mesma coisa. “As pessoas lidam com a finitude a partir de exemplos. Alguém próximo morre — um vizinho, um familiar, um colega de trabalho — e a pessoa percebe que aquilo trouxe, além de crise emocional, um monte de problemas práticos a quem estava ao redor. Daí, elas passam a se preocupar com a organização financeira, vão atrás de um seguro de vida. Isso, às vezes, acontece tarde demais”, afirma.
“Sem contar que, obviamente, não é a melhor forma de administrar isso”.
Esse padrão se repete quando os brasileiros são questionados sobre o que mais os fez pensar na morte em um passado recente: a maioria (58%) lembra de experiências envolvendo perdas de pessoas próximas.
O insight de Luciana Bastos está em perceber que, não só quem está lidando com a herança de um patrimônio, mas a família como um todo é fator estimulante de quem, ainda em vida, se preocupa com esse planejamento. “E é quem chega nessa profundidade de reflexão que percebe como isso se trata de um cuidado, que ter um seguro de vida é a melhor maneira de expressar – e de garantir – esse cuidado”.
Neste caso, a pesquisa da Icatu Seguros revela que as famílias até conversam, mas dificilmente se organizam: quatro em cada dez (43%) pessoas disseram já ter falado sobre o assunto com os familiares, sem terem chegado a nenhum tipo de planejamento. Outros 29% sequer abordaram o tema em casa ainda.

Nas empresas, Sacconato pontua que a família ocupa outro lugar, porque é ela o objeto da disputa.
Se a sucessão patrimonial costuma ser um problema, há casos sem resolução.É curioso observar como há quem construa um patrimônio imaginando que aquilo ficará para sua família, que ele manterá a unidade familiar, e acontece exatamente o oposto. As gerações não costumam pensar do mesmo jeito.
Dados da Evermonte de 2025 mostram que 16% das companhias têm diretrizes parciais de sucessão no Brasil, enquanto outras 46% até têm o mapeamento de sucessores, mas sem programas estabelecidos.
Brasileiros confundem organização com custos funerários
Se os brasileiros pensam sobre a morte e muita gente até tem consciência da relevância de se preparar financeiramente para ela, os relatos coletados pela pesquisa revelam que há confusões superficiais sobre o que isso significa.
No estudo da Icatu Seguros, 22% dos ouvidos contaram que perderam pessoas próximas que não tinham deixado nada organizado, e que, por isso, o processo foi “difícil”. Outros 28% disseram ter vivido experiências parecidas, mas que, no caso delas, quem morreu havia planejado algo.
Para Luciana Bastos, a maioria dessas pessoas não deixa, na verdade, uma estrutura de proteção, mas só compartilha informações sensíveis que depois facilitam os trâmites burocráticos. “São coisas como dizer quanto dinheiro há nas contas ou dividir senhas bancárias, por exemplo. As pessoas que não têm seguro sabem que, se morrerem sem passar esses dados, deixarão as famílias em meio a um caos”, diz Luciana.
Faz mais sentido, para a Diretora, observar a taxa de 12% de brasileiros que relatam, aí sim, ter visto alguém morrer, mas deixar tudo absolutamente organizado. São detalhes de investimentos, mapeamentos de sucessão empresarial, dados de patrimônio e, claro, seguro e previdência.
Para quem tem um Seguro de Vida nesses casos, os processos burocráticos são infinitamente mais céleres, porque a família não precisa de inventário para ter acesso aos recursos — o que a permite manter as contas em dia.
Na pesquisa, a Icatu Seguros deixou um campo aberto para os participantes relatarem suas experiências envolvendo morte e planejamento financeiro. Na imensa maioria das respostas, as pessoas contaram casos envolvendo amigos e familiares que se foram e deixaram os gastos funerários em aberto, revelando como esse é um tabu intenso no cotidiano do país. Cerca de 50 pessoas compartilharam relatos que expressam essa confusão.
“Eu tenho um seguro de vida e um funerário”, disse uma delas. “Quando meu avô faleceu, não tínhamos dinheiro para o enterro”, compartilhou outra. Já um terceiro participante contou do primo que “morreu sem deixar quase nada organizado”, e que a “família teve que se juntar para pagar até o funeral”.
O objetivo do campo, porém, era que os entrevistados falassem sobre a relação com seguros, previdências ou outros tipos de planejamento para a finitude.
Essa confusão geral entre a organização do patrimônio e o custo do enterro é sintomática de como ainda temos um desafio imenso de inclusão e percepção da importância desse planejamento mais robusto.
Ela conta como essa confusão se reflete até na relação da Icatu Seguros com seus clientes: em meio aos vários produtos de proteção das famílias — Seguro, Previdência, etc., — muitas pessoas reforçam que foram “cuidadas” pela empresa, na verdade, quando precisaram de atendimento funerário.
“Demonstra como não pensamos de forma profunda sobre o que vamos deixar às pessoas próximas. A preocupação está só em não deixar os gastos imediatos, do caixão, do velório, a elas, como se fosse um motivo de vergonha”, continua Cynthia Araújo.
Ela acredita que isso acontece, principalmente, porque os brasileiros acham que terão tempo para se organizar e cuidar desse patrimônio da família antes de morrerem. “É intrigante como muita gente sabe que a morte pode acontecer a qualquer momento, mas, mesmo assim, não se organiza. Dá trabalho, exige tocar num assunto doloroso, e é mais fácil quando se trata de deixar só os custos funerários resolvidos…”.
Pensar na morte é um exercício solitário
Se muita gente pensa na morte, mas poucas se organizam para ela, o luto é muito solitário.
Quando perguntados sobre como veem pessoas próximas lidando com ele, a maior parte dos brasileiros (44%) diz que elas simplesmente “evitam falar do assunto”. Outros 24% dizem que isso se vive “de forma solitária”, totalizando cerca de 68%.

Há uma maior parte que, por outro lado, admite contar com apoio de pessoas próximas (47%).
Para Cynthia Araújo, essa é uma realidade inevitável, porque a morte ainda é um tabu – seja pela lógica irracional ou pela mais pragmática. “O luto não é compartilhado porque as pessoas sentem que é para ser assim, que essa é uma experiência para se ter sem ninguém por perto – e isso torna tudo mais doloroso”.

Cynthia Araújo, Advogada e Editora do Blog Morte sem Tabu do Jornal Folha de S. Paulo
É que, se de um lado as pessoas elaboram esse pensamento individualmente, é porque em um momento em que perderam alguém próximo também tiveram que passar pelo luto de forma solitária. “Tem uma ideia geral, no Brasil, de que é melhor não falar nada do que falar algo errado. Mas o que é pior? Não se aproximar de alguém enlutado com uma palavra de consolo ou conversar de algum jeito?”.
Mas, para Luciana Bastos, da Icatu Seguros, isso é um problema, porque são essas mesmas pessoas que assumem o papel de lidar com as “burocracias da morte” – quando não são afetadas diretamente pela falta de organização. É outro jeito de observar os seguros de vida como ativos de proteção social.
“Se a pessoa que morreu era também a que organizava as coisas, que cuidava da burocracia da vida, isso é ainda mais difícil – e reforça como a organização financeira da finitude tem um peso social fundamental: é ela que garante a permanência, a segurança material de quem ficou, e é nesse sentido que se trata de uma estrutura de proteção. Quem fica pode não ter o que fazer diante da ausência do outro”, continua ela.
“E é também um ato emocional de cuidado: expressa uma preocupação com a continuidade da vida de quem se ama”, completa.
Na análise de André Sacconato, é exatamente isso que não pode acontecer nas empresas, porque organizar uma sucessão depende de processos coletivos e, principalmente, de credibilidade em cada etapa. “De um lado, é relevante existir uma fase de construção da transição, em que se nomeia todo mundo que está envolvido. Depois, tem um momento de consolidação da estrutura, que convive, em paralelo, com essa sensação complexa de que alguém está perto do fim. Em todas essas fases, você simplesmente não pode fazer nada sozinho, porque um depende do outro”.
E você? Quer saber mais sobre organização patrimonial, seguros de vida, previdências privadas ou títulos de capitalização? Deseja acessar mais dados dessa pesquisa ou teve um insight enquanto acessava esse conteúdo? Escreva para a gente.
Metodologia
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Icatu Seguros
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