Saúde da mulher na terceira idade, a geriatra Andrea Prates aborda a fragilidade da longevidade feminina

Você já parou para pensar em como deve se preparar para viver mais e melhor? Esse pode ser um assunto que não passa na cabeça de muita gente, mas, acredite, é muito importante. A população brasileira está envelhecendo e de forma rápida. Segundo o IBGE, em 2040 a proporção de idosos deverá ultrapassar a de crianças e adolescentes.

Está achando muito? Em 2060, um quarto da população, ou seja, 25,55% das pessoas que vivem no Brasil terá mais de 65 anos.

As mulheres têm uma vantagem em relação aos homens: maior expectativa de vida. Mas, afinal, como anda a qualidade de vida delas na terceira idade? Apesar de viverem, em média, quase seis anos a mais – segundo o IBGE –, a longevidade feminina parece estar em segundo plano, e são inúmeros motivos para isso. Para entender como a saúde da mulher é afetada, o assunto virou tema de estudo da geriatra Andrea Prates, médica com mais de 30 anos de experiência.

“Há uma série de tarefas ainda muito ligadas à questão do gênero. E a falta de apoio prejudica muito a mulher. Às vezes, ela não consegue ter estabilidade no emprego ou vê a carreira retroceder nas pausas da maternidade”, acredita.

Por isso, é importante não pensar nos cuidados com a saúde das mulheres somente quando elas passam dos 60 anos. É preciso ter em mente que o que acontece na melhor idade é resultado do que fazemos durante o curso de uma vida inteira.

“Uma criança saudável tem mais chance de se tornar um adulto saudável. As doenças crônicas como câncer, doenças vasculares e demência se desenvolvem ao longo da vida e são elas as que mais atingem e incapacitam as mulheres”, explica a médica.

“Há uma série de tarefas ainda muito ligadas à questão do gênero. E a falta de apoio prejudica muito a mulher. Às vezes, ela não consegue ter estabilidade no emprego ou vê a carreira retroceder nas pausas da maternidade”, acredita.

Por isso, é importante não pensar nos cuidados com a saúde das mulheres somente quando elas passam dos 60 anos. É preciso ter em mente que o que acontece na terceira idade é resultado do que a gente faz durante o curso de uma vida inteira.

“Uma criança saudável tem mais chance de se tornar um adulto saudável. As doenças crônicas como câncer, doenças vasculares e demência se desenvolvem ao longo da vida e são elas as que mais atingem e incapacitam as mulheres”, explica a médica.

Viver bem na terceira idade não é só saúde
Que ter hábitos saudáveis são benéficos à saúde já é um consenso. Não custa lembrar a importância de praticar exercícios, ter boa alimentação e dormir bem para regenerar o sistema nervoso, além de evitar o consumo de álcool e o fumo. Políticas públicas que previnam a gravidez na adolescência ou ofereçam apoio no período da menopausa, por exemplo, são extremamente necessárias. Mas ainda tem muito mais a ser feito.

“Não é só tomar cuidado com relação às doenças, mas em várias áreas. A saúde é uma delas, mas também tem renda, educação e relacionamento, por exemplo. Pessoas que têm uma rede social maior têm chance de envelhecer com mais qualidade”, conta.

Estar preparada financeiramente para ter uma longevidade mais digna é outro ponto levantado pela médica. A maioria da população ainda não tem o hábito de guardar para o futuro. Uma pesquisa do SPC Brasil revelou que oito em cada dez brasileiros admitem não fazer uma reserva para a aposentaria. Para as mulheres, talvez seja ainda mais difícil.

“Elas têm uma remuneração menor e tendem a repartir o que ganham com a família, muitas das vezes sustentando filhos e netos”, acredita. É preciso repensar o tratamento dado às mulheres seja no mercado de trabalho ou pela sociedade como um todo.

“Se elas vivem mais, acabam ficando viúvas. Já a tendência dos homens é casar com mulheres mais jovens. Ou seja, na terceira idade, elas terminam mais solitárias. Quem vai cuidar dessas mulheres que cuidaram de todos os outros?”, questiona a médica, que aproveita para fazer uma alerta. “Nós mulheres precisamos nos conscientizar que vamos viver mais. Temos que nos preparar para chegar com mais sucesso na velhice”, aconselha.

O que você está fazendo para envelhecer com qualidade? Se a resposta for “nada”, reflita e comece a partir de agora uma mudança na sua vida. Viva mais e melhor!

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